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A Freira

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Spin-off do excelente ‘Invocação do Mal 2’ falha assustadoramente com jumpscares previsíveis, tensão zero e trama fraca

 

Um dos elementos mais assustadores de Invocação do Mal 2 (2016), dirigido pelo craque James Wan, sem dúvida alguma é a freira demoníaca que assombra o casal Lorraine e Ed Warren – interpretados pela dupla Vera Farmiga e Patrick Wilson (também protagonistas do primeiro longa). Uma das cenas, envolvendo a tal freira e um quadro, é considerada uma das mais assustadoras e criativas do cinema de horror moderno. Então, era de se esperar (como foi feito com a boneca Annabelle) que um spin-off surgisse pra contar a origem daquela entidade.

Sabe aqueles personagens que assustam mais quando suas origens são meio desconhecidas e que são totalmente envoltos em mistério? Tipo Michael Myers de Halloween: onde John Carpenter acertou em cheio em não explicar o que motivava seu serial killer (além de pura maldade), Rob Zombie falhou miseravelmente contando historinha familiar demais no seu desastroso remake.

O filme

Eis que temos “A Freira” (2018), dirigido por Corin Hardy (do bom The Hallow, de 2015). O que mais incomoda aqui é que o lance tinha tudo pra dar certo: a produção é boa, os cenários são perfeitos – a Romênia pós-guerra, cercada por lendas sobrenaturais e muita neblina, com uma abadia assustadora, uma floresta e um cemitério sinistros (lembrando os clássicos da Hammer), e o carismático trio de protagonistas encabeçado por Taissa Farmiga (Olha só! A irmã mais nova da Vera!) faz um bom trabalho. Porém…

O filme até que começa promissor, mas descamba pra uma série de jumpscares (aqueles sustos em que algo aparece de repente na tala) forçados e previsíveis, numa trama que não conta absolutamente nenhuma novidade (em Invocação do Mal 2 já ficamos sabendo quem – ou o quê – é a tal freira). Cheio de clichês, o filme teima em ficar repetindo situações já vistas em muitos outros longas do gênero e que, sem um pingo de originalidade ou tensão, não assustariam nem menino pequeno.

Periga um trem fantasma de parquinho mambembe ter mais sucesso nesse sentido. Por falar em falta de originalidade, até a forma em que a protagonista vence o “capeta que veste hábito” foi chupinhada descaradamente de um filme da série Contos da Cripta – inclusive com a mesma “arma”.

Algumas cenas também me fizeram lembrar de O Convento (2000) – um filme de terror trash, meio obscuro… e mais digno de nota e mérito justamente por ser descaradamente trash – e que até me diverte. No mais, tem umas aparições que em vez de assustar, irritam: até pensei que se eu estivesse ali no filme e uma freira zumbi daquela (sim, tem até freira zumbi!) aparecesse na minha frente, levaria uma voadora nos peitos, uma rasteira ou, no mínimo, um “pedala freirinha”.

O veredito

Depois de alternar bocejos, impaciência e risos involuntários por quase duas horas, finalmente sobem os créditos. E aí, se você – assim como esse que vos escreve – se assustou com a freira no ótimo Invocação do Mal 2, recomendo que fique só com ele: as breves aparições da entidade ali valem muito mais a pena do que esse “filme de origem” inteiro. Afinal, não é qualquer um que, por mais que se esforce, consegue ser um James Wan.

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