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A Vida Secreta dos Casais

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Bruna Lombardi

Chegada da HBO Max oferece boas opções de produções nacionais, como a série protagonizada por Bruna Lombardi

 

“Tudo na vida começa e gira em torno do sexo. Inclusive a própria vida”. É assim, sem medo da fúria conservadora, que a voz de Bruna Lombardi abre o primeiro episódio de A Vida Secreta dos Casais, uma série de família – a dela, no caso.

A Vida foi escrita por Bruna e seu filho Kim Riccelli, que também é um dos diretores ao lado do pai, Carlos Alberto Riccelli. O casal Bruna e Riccelli interpreta, respectivamente, a terapeuta sexual Sofia e o detetive Luís, numa trama que envolve sexo, corrupção e dinheiro em grandes doses. Mais atual impossível.

Para Bruna, são três os pilares da série: o tantra, o crime e o jornalismo online. “O tantra representa a beleza do sexo, para além dessa distorção que temos hoje, em que simplesmente se explora o sexo”, explica a atriz e roteirista. “Já o crime e a investigação tocam naquilo que mais vemos atualmente, as entranhas das empresas e governos, a corrupção correndo solta”, continua. “E o jornalismo digital, tornou-se a última fronteira da verdade. É impossível segurar todo mundo que posta, que fala sobre um assunto e que tem uma opinião a dar”, finaliza.

Sexo sim, sem vergonha

Se há uma tradição em produções da HBO é a forma livre pela qual o sexo é abordado e mostrado em tela. Numa série em que a protagonista é a proprietária de um lugar chamado “Instituto Tantra” e que ajuda casais com questões sexuais, não poderia ser diferente.

Para o diretor e roteirista Kim Riccelli, a ideia é “tratar o sexo com delicadeza e beleza”. De fato, ainda que uma ou outra cena possa ter um peitinho maroto escapando de forma desnecessária, não há abuso gráfico. As cenas mais sensuais são suaves e, de certa forma, poéticas.

Bruna Lombardi Kim Riccelli

Uma família sem tabus e com muita criatividade (Foto: Divulgação/HBO)

No episódio piloto, um casal de aspecto bem tradicional passa pela consulta de Sofia e depois conhece o espaço e o espectador acompanha seu reconhecimento da área de tratamento, com a terapia tântrica. “Houve um alto envolvimento de toda a equipe, algo que superou a realidade do set de filmagem. As pessoas entraram realmente em contato com uma outra energia. Foi muito bonito o que rolou”, filosofa Kim Riccelli, ao comentar essas cenas – nas quais os clientes de Bruna são estimulados sexualmente.

A série promete ainda trazer luz a situações de casais de diferentes orientações e gêneros. Alguns flashes rápidos disso são vistos no piloto. Há casais gays, trans, de mais idade… “Queremos diminuir preconceitos. Não é brigar, ofender, mas sim mostrar que tratar de identidade é algo relevante”, explica Kim.

Impotência. Mas não sexual

O primeiro episódio, além do sexo, abre várias janelas de possibilidades para a trama. A partir da relação bastante íntima que estabelece com um de seus pacientes, Sofia se vê envolvida no que aparenta ser uma complexa rede de corrupção, que envolve Edgar Eleno Andreazza (Paulo Gorgulho), um banqueiro e empresário com uma família cheia de problemas, mas que passa ao mundo exterior uma imagem de perfeição.

Fica claro, logo de início, com a presença de banqueiros e políticos, que algo bem sujo está acontecendo ao redor da terapeuta. É aí que entram o jornalista político Vicente (Alejandro Claveaux), a fotógrafa Renata (Leticia Colin) e o detetive Luís.

As comparações com os fatos do noticiário atual serão inevitáveis. Claveaux se disse surpreendido ao saber que Bruna havia escrito certas cenas antes de tanta coisa maluca acontecer no panorama político nacional. “O público vai se surpreender, vai pensar que ela escreveu depois, se baseando na realidade, mas foi antes”, diverte-se Claveaux.

Ao comparar ficção e realidade, houve mais vontade de interpretar quem está do lado que quer levar ao conhecimento do público a verdade – casos dos personagens de Claveaux e Riccelli, que comenta:  “Veio muita frustração também. Na série corremos atrás, mas dá raiva em ver como na vida real eles (os políticos) roubam bilhões, tirando educação e comida das pessoas, sem o menor pudor”.

Perguntada sobre como a HBO recebeu esse conteúdo num momento tão conturbado politicamente, Bruna foi enfática: “Não tive nenhum tipo de interferência ou censura. Tudo que eu escrevi foi para a tela”.

Ritmo íntimo

Além das diversas tramas paralelas, que chegam até a se confundir um pouco, o primeiro episódio de “A Vida Secreta dos Casais” possui outro elemento que causa estranhamento: o ritmo mais lento, especialmente dos primeiros minutos. “Foi uma escolha consciente”, afirma Kim Riccelli. “Tem outro ritmo porque precisamos disso para entrar em outro estado e ter uma experiência mais profunda”, completa.

É uma proposta ousada e há essa consciência. Tanto que Kim faz questão de dizer que muito acontece nos episódios seguintes – são 12 na primeira temporada e 10 na segunda – e que se trata de uma preparação para o que está à frente.

Bruna indica que “A vida” é uma tradução de como ela quer que o mundo seja: transparente, multidimensional, “mas com alguns segredos”, que dão charme e colorido à existência. “A vida (real) é uma boa série”, diz a criadora.

 

A Vida Secreta dos Casais

Direção: Carlos Alberto Ricelli, Kim Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi, Kim Riccelli
Episódios: 12 na primeira temporada, 10 na segunda temporada
Duração: Em média, 60 minutos por episódio
Elenco: Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli, Alejandro Claveaux, Roberto Birindell, Paulo Gorgulho, Ondina Clais Castilho, Hugo Bonemer, Camila dos Anjos, André Loddi e Letícia Colin
Onde assistir: HBO Max

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