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87 anos do Pato Donald: um personagem íntimo do Brasil

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Pato Donald

Entenda o que faz esse pato ser tão querido pelo público brasileiro

Por Leonardo Lopes

No dia 9 de Junho de 1934, o mundo conheceu Donald Fauntleroy Duck ou, para os íntimos, Pato Donald. Nos 87 anos passados desde então, o personagem estrelou mais de 150 filmes, séries e curtas. Ao lado de Mickey Mouse, Minnie, Pluto, Pateta e de sua namorada Margarida, forma o “primeiro time” dos estúdios Disney, o grupo mais querido e reconhecido de criação de Walt Disney. No Brasil, Donald pode se considerar ainda mais especial.

No começo da década de 1940, a popularização da ave no Brasil começa com dois episódios marcantes: os filmes “Alô, Amigos!”, de 1942, e “Você já foi à Bahia?”, de 1944. As duas obras narram aventuras do pato em solo brasileiro, ao lado do companheiro local Zé Carioca. Curiosamente, essa história só aconteceu por um acaso diplomático.

Walt Disney vem ao Brasil

A viagem de Walt Disney foi, na verdade, uma tarefa dada pelo então presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt: conquistar novas audiências para os desenhos norte-americanos. A intenção de Roosevelt era promover relações e influências da cultura estadunidense sobre os sul-americanos, numa disputa comunicativa e territorial travada com a Alemanha nazista. Sem investimentos europeus, enfrentando uma greve de funcionários e com dificuldades para produzir novos filmes, Disney topou a empreitada e veio ao continente. (Você pode conhecer essa história em detalhes no documentário “Walt & El Grupo”).

Ao desembarcar no Brasil, o criador percebeu que o papagaio era o animal doméstico mais querido pelos brasileiros, como explica Monika Lira Malhoit em sua dissertação de mestrado sobre o tema, e criou o Zé Carioca. Como também é uma ave, era natural que o Pato Donald o acompanhasse. Em “Alô, Amigos!”, analisa Malhoit, Zé Carioca conhece Donald, entusiasmado para conhecer a cultura e os costumes brasileiros, armado com dicionários e mapas do local. Essas escolhas aproximaram muito o personagem do público nacional.

Nas bancas

Carismático e rabugento, Donald já era querido no país quando suas revistas em quadrinhos passaram a ser publicadas aqui, pela Abril, em 1950. Nove anos mais tarde, a primeira história do personagem produzida no Brasil foi lançada (“Papai Noel por acaso”) e, a partir daí, artistas locais começaram a criar novas HQs, o que deu ao pato uma cara ainda mais brasileira. Um sucesso nacional, a revista “O Pato Donald” foi produzida e publicada ininterruptamente até a década de 1990, atravessando gerações de fãs do Pato Donald por, ao menos, quarenta anos. Em diferentes formas, essa história continua em 2021, por exemplo com versões clássicas dos gibis, agora em capa dura.

No Disney+, é possível assistir a todos os filmes protagonizados pelo personagem reunidos em um lugar só, com a Coleção Pato Donald.

 

Leonardo Lopes

 

Leonardo Lopes é formado em Jornalismo pela FAAP e pós-graduando em Sociopsicologia pela FESP-SP. Cinéfilo antes de tudo, se interessa especialmente pelo que o entretenimento e a cultura dizem sobre seu público. Escreve e fala aqui no Armazém Pop e no Cinema de Buteco.

 

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