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Depois, de Stephen King

Novo livro de Stephen King traz história ligeira, divertida e arrepiante sobre menino que “vê gente morta” – e consegue lhes arrancar verdades

 

Começar um texto dizendo “Que baita escritor é Stephen King” é o cúmulo da redundância, né? Não se os numerosos elogios nunca forem suficientes para exaltar o talento de alguém que, mesmo consagrado há décadas, está sempre se reinventando – e se adequando aos novos tempos e aos leitores mais jovens. 

‘Depois’ (Editora Suma), conta a história de James Conklin (ou simplesmente ‘Jamie’) – um menino de 13 anos, filho de uma bem-sucedida editora (e mãe solteira). Desde a sua tenra infância, Jamie consegue ver os fantasmas de pessoas recém-falecidas. Com o tempo, ele descobre que os espíritos são incapazes de mentir, por mais incômodas que as perguntas sejam para eles. E que aparecem do mesmo jeito em que morreram, criando momentos de grande pavor no moleque. Certo dia, a policial Liz Dutton – companheira de sua mãe – procura o pré-adolescente para lhe impor uma tarefa pra lá de ingrata: contatar o espírito de um terrorista que, antes de morrer de forma violenta, deixou uma última bomba plantada num lugar que só ele conhece – e que se explodir, pode tirar centenas de vidas.  

Stephen King entrega aqui uma de suas histórias mais simples, e até modestas, se comparada a alguns de seus clássicos como ‘O Iluminado’, ‘It’, ‘Cemitério Maldito’ e ‘Carrie’. É uma leitura relativamente rápida e que pode render um ótimo passatempo de fim de semana, pois suas 192 páginas “voam”. É muito divertido pescar referências nítidas e jogadas por King sem o menor pudor – principalmente ‘O Sexto Sentido’, que inclusive é citado por Jamie, o narrador de sua própria história. Afinal, assim como no filme estrelado por Bruce Willis, o menino vive com a mãe (que precisa conviver com o dom incômodo de seu filho único) e seu primeiro avistamento se dá depois de um terrível acidente que tira a vida de um ciclista – o que remete imediatamente a uma arrepiante cena do filme. 

O autor de 73 anos também se permite “entrar na cabeça” de uma criança de 6 anos, de um pré-adolescente e de um rapaz de 22 anos – as três fases da vida do jovem protagonista abordadas na trama – e consegue exprimir com esperteza os gostos, ações e raciocínios típicos dessa fase da vida. E apesar dos muitos momentos de pavor, King também nos proporciona passagens até engraçadas ou comoventes, como naquelas onde Jamie tem algumas conversas tranquilas com ‘mortos do bem’, até eventualmente se dispondo a ajudá-los.  

Por fim, vale citar a capa lindona e com uma ilustração de pegada meio ‘pulp’, que já dá um belo aperitivo do que está por vir.   

 

Depois

Título original: ‘Later’
Autor: Stephen King
Editora: ‎Suma; 1ª edição (19 março 2021)
192 páginas

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