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Em um Bairro de Nova York

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em um bairro de nova york

Musical torna vibrantes histórias que poderiam comover

 

As histórias de imigrantes que sonham com a volta ao país de origem e de jovens que não conseguem se encontrar longe de sua comunidade poderiam render dramas comoventes, mas “Em um Bairro de Nova York” as reúne em um musical vibrante. Ainda bem.

Nesse filme, o cenário ganha protagonismo. Em Washington Heights, dezenas de famílias latinas constroem uma comunidade. Com sua cultura, culinária e comércio, elas conseguem transformar em casa um pedaço de Nova Iorque distante de sua terra natal. Ao mesmo tempo, os avanços da metrópole (o salão de beleza, ponto tradicional de encontro e conversa, precisa deixar o bairro pela alta do aluguel) nem sempre acompanham esse sentimento comunitário. Há comentários sobre muitas coisas, mas a grande questão é o pertencimento.

Há quem queira deixar o bairro para reencontrar um sentimento deixado na nação de origem; há quem volte a ele com a frustração de não ter encontrado sucesso longe de lá. Não é difícil se identificar com essas histórias, porque (quase) todos nós temos, também, nosso lugar de pertencimento; só é tão fácil se conectar a elas nas mais de duas horas de filme porque “Em um Bairro de Nova York” as conta com honestidade e afeto. Sem reduzir as personagens e seus conflitos a estereótipos, ainda escolhe intérpretes carismáticos (especialmente Anthony Ramos, no papel de Usnavi) para dar vida a elas. Como bônus, a ausência de grandes estrelas no elenco o aproxima mais de uma roupagem local.

Embora derrape em decisões comuns a musicais, como o excesso de personagens (o Piragüero, que só existe para que o produtor, roteirista e compositor Lin-Manuel Miranda esteja na tela, é apresentado com mais de 50 minutos de filme), é também graças a elas que o longa-metragem funciona tão bem. Músicas narram as origens, jornadas e angústias dos moradores do Heights e também concluem suas histórias de forma satisfatória. Nenhuma canção é memorável, mas todas são vibrantes o suficiente para garantir sequências divertidas, bem coreografadas e que fazem sentido para o andamento da trama. Destaque para as grandiosas (“Carnaval Del Barrio”) e que cruzam diferentes histórias numa mesma letra (“96.000”), justamente aquelas em que obras do gênero costumam derrapar. Méritos da produção.

 

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