Nossas redes

Cinema

Espiral: O Legado de Jogos Mortais

Publicado

em

Espiral Chris Rock

Franquia renasce com tom mais policial, mas atuação de Chris Rock não convence

 

‘Jogos Mortais’ deu uma chacoalhada no gênero de terror lá em 2004. James Wan, diretor malaio, apareceu para o mundo nesse filme – que contava a história do serial killer Jigsaw, um maluco que selecionava pessoas que considerava “culpadas” e as submetia a situações absurdas, nas quais (na maior parte das vezes) elas precisavam fazer escolhas impossíveis para serem reabilitadas. O resultado, inevitavelmente, eram mortes grotescas.

Carentes de produções que dessem aflição extrema, algo que não era feito desde a década de 1980, o público abraçou a premissa do filme e ali nasceu uma franquia que havia gerado até agora sete filmes e rendido mais de um bilhão de dólares em bilheterias. A última produção (bem fraca, aliás) havia sido “Jogos Mortais: Jigsaw”, de 2017. Mas agora um reboot leva a série para um caminho mais policial, sem deixar a sanguinolência de lado, mas tentando abranger um público maior, para além dos aficionados por corpos voando.

Espiral

Dirigido por Darren Lynn Bousman, que tomou as rédeas da direção da franquia depois de Wan, o filme conta como um copycat (imitador) de Jigsaw começa a atacar a polícia, matando daquele jeito gostosinho diversos membros da corporação que, começamos pouco a pouco descobrir, tinham um passado sujo.

Para resolver o caso, surge o detetive Ezekiel “Zeke” Banks (Chris Rock) e seu parceiro novato (Max Minghella). Além deles, entra no rolo também o pai de Zeke, o antigo chefe de polícia, interpretado por ninguém menos do que o “Bad Muthafucka” Samuel L. Jackson.

O filme

A trama é boa e o roteiro, de Josh Stolberg e Pete Goldfinger, tenta enganar o espectador o tempo todo. E isso não é ruim num filme em que descobrir o assassino é o ponto chave. Pelo contrário, é muito possível se envolver e ficar curioso em saber quem está por trás da sinistra máscara de porco e da pichação de espiral, que são as marcas registradas do bandido. Isso sem falar no incômodo gerado pelos “jogos”, como ele chama, que são vários e bem criativos. Tipo ficar pendurado pela língua acima do metrô e escolher, cortar o que te ajuda a falar ou morrer?

Comédia ou suspense

Samuel L. Jackson: esse sim é “do mal” – Divulgação: Paris Filmes

O problema todo do filme reside em Chris Rock. O ator é um comediante e não convence como detetive durão. Se o caminho tivesse sido como o trilhado por ele mesmo em “Máquina Mortífera 4”, em que faz o papel do genro de um dos protagonistas, representando uma nova geração na polícia e ainda um certo alívio cômico, tudo bem. Mas em “Espiral”, o tempo todo Rock parece querer convencer de que é nervoso, bravo e sério. E aí tome cenas dele apertando os olhos e franzindo a testa – mais parecendo que é míope do que um “bad boy”. Essa função é cumprida, com maestria, por Samuel L. Jackson, que infelizmente não tem tantas cenas no filme como o tamanho de seu nome no cartaz sugere.

A tentativa com “Espiral” é dar uma nova vida à franquia, agora com Chris Rock como estrela. O final do longa deixa isso muito claro. Descobrimos tudo, as coisas se cumprem e se resolvem, mas há aquelas pontinhas soltas para rolar mais filme daqui a pouco. Se isso realmente acontecer, o ator vai precisar melhorar bastante. Valeria ter umas aulas de maldade com seu pai da ficção para correr e atirar em bandido sem deixar o público com dúvidas se é para rir ou levar a sério.

 

Espiral: O Legado de Jogos Mortais (EUA, 2020)
Direção: Darren Lynn Bousman
Elenco: Chris Rock, Max Minghella, Marisol Nichols, Samuel L. Jackson
Duração: 95 minutos

Continuar Lendo
1 Comentário

1 Comentário

  1. Pingback: A Hora do Lobisomem - Armazém Pop

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *