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Godzilla vs. Kong

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Mesmo com furos narrativos e aqueles velhos personagens humanos dispensáveis, o longa cumpre bem o que promete: um quebra pau empolgante e colossal entre os icônicos monstros

 

Depois de um tempo quietinho lá nas profundezas oceânicas, uma bela noite o gigantesco e poderoso Godzilla resolve aparecer e, sem motivo aparente e num baita mau humor, manda as instalações de uma gigantesca empresa tecnológica pro beleléu. Enquanto isso, o gorilão Kong vive monitorado por cientistas, numa bolha tecnológica que simula o seu habitat natural –  a la ‘Vida de Truman’. Sem entender o porquê do ataque inesperado do lagartão radioativo e temendo um próximo, um grupo de cientistas decide levar Kong até um lugar misterioso, localizado no centro do nosso planeta e conhecido como ‘Terra Oca’, a fim de coletar uma energia do lugar que permitirá que eles construam uma arma capaz de detonar Godzilla – o que obviamente colocará os dois titãs em rota de colisão. 

Se “Godzilla: Rei dos Monstros” (2019) deixou a desejar com sua trama atrapalhada, um elenco humano chatíssimo e cenas de luta visualmente confusas, “Godzilla vs. Kong” deu uma bem-vinda aparada nas arestas e entrega um espetáculo de encher os olhos. Dessa vez, tem menos enrolação, os efeitos ganharam um visível update, os embates monstruosos são bem coreografados e a iluminação das cenas é belíssima – seja nos quebra paus entre navios no meio do oceano sob a luz do sol ou numa Tóquio noturna e cheia de luzes neon, que remetem aos melhores filmes de ‘kaiju’ – como o incrível “Círculo de Fogo” (2013) de Guillermo del Toro (ainda imbatível, na minha opinião).  

Mas o filme tem problemas? Opa, tem sim – e o principal deles é justamente o que mais deixou o longa anterior do lagartão um tanto irregular: o elenco humano. Decisões estúpidas, um vilão canastrão e o arco encabeçado pela personagem da Millie Bobby Brown (de “Stranger Things”) quase ‘estragam o rolê’. Sem muita relevância na trama, o grupo da sabichona personagem – que parece ter voltado só pra criar um desnecessário vínculo com o filme anterior – traz aquele “trio clássico”: a ousada, o nerd atrapalhado e o piadista da turma. Obviamente, como disse um colega dia desses, não se deve esperar desses filmes a “profundidade de um drama iraniano”. Mas a maneira como o trio de moleques consegue invadir, sem a menor dificuldade, as instalações de uma base ultra secreta é no mínimo ofender a inteligência do espectador.

Em contrapartida, o arco liderado pelos cientistas vividos por Rebecca Hall e Alexander Skarsgård tem atitude, tem mais carisma e consegue cativar – sem falar da menininha fofinha (Kaylee Hottle) que é uma espécie de protegida do Kong, com quem ele consegue se comunicar e que os acompanha com o intuito de acalmar o bichão, caso ele eventualmente perca a paciência.

 Por que assistir?

Se não é impecável como ‘Kong: A Ilha da Caveira’ (2017), ‘Godzilla vs. Kong’ ao menos consegue ser um tanto melhor do que o meio paradão ‘Godzilla’ (2014) e muito superior ao problemático ‘Rei Dos Monstros’. Não por acaso, nos primeiros dias de exibição ele conseguiu arrecadar impressionantes US$ 285,4 milhões mundialmente  – apesar das devidas restrições por causa da pandemia. 

Mesmo explorando uma premissa um tanto batida e previsível (na metade do filme a gente meio que já sabe como tudo vai terminar), o roteiro usa de uma certa malemolência pra driblar esses pequenos poréns e a montagem é esperta o suficiente pra não deixar a peteca cair. E se falta carisma em parte do elenco humano, tem de sobra nos dois monstros – os verdadeiros protagonistas aqui. Por fim, não chega a ser algum ‘spoiler’ dizer que um terceiro elemento – muito conhecido de quem é fã de carteirinha do Godzilla – vai dar as caras, mudando o rumo do embate. 

Entre alguns erros e muitos acertos, “Godzilla vs. Kong” cumpre com louvor o papel de divertir, abrindo possibilidades infinitas – e ainda mais bem lapidadas – para o futuro desse gigantesco e promissor ‘MonstroVerso’ cinematográfico.

 

Godzilla vs. Kong (EUA/2021)
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Max Borenstein e Eric Pearson
Produção: Warner Bros. Pictures e Legendary Pictures
Elenco: Rebecca Hall, Millie Bobby Brown, Kyle Chandler, Alexander Skarsgård, Kaylee Hottle
Duração: 1h 54min   

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