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Manhãs de Setembro

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Série da Amazon é primor de direção e mostra como Liniker é uma artista absolutamente completa

 

Há algum tempo a população trans vem recebendo a atenção que merece da indústria do entretenimento. Séries como “Orange is the New Black”, “O Mundo Sombrio de Sabrina” e “Sense8” traziam personagens trans, assim como filmes mais antigos, como “A Garota Dinamarquesa” (2015) e “Meninos não Choram” (1999), que até ganharam Oscar.

Mas nunca uma personagem trans foi trazida de maneira tão natural e real como no excelente “Manhãs de Setembro”, produção nacional da Amazon Prime Video. Estrelada pela impressionante Liniker, a série mostra um momento especial da vida de Cassandra, motogirl e cantora, que pela primeira vez consegue se organizar, morando sozinha, se sustentando e em um relacionamento estável.

A trama

Só que contar uma história em que tudo dá certo não tem graça e, logo no primeiro dia da sua conquista, Cassandra dá de cara com o passado batendo à porta de sua quitinete. Um filho. Ela, mulher trans, decidida e empoderada, engravidou uma amiga antes de sua transição de gênero. E agora esse filho precisa do pai.

“Manhãs de Setembro” já seria interessante apenas por esse início. Um conflito desses já atrai a atenção e te faz querer saber o que vai acontecer. Mas a série não fica apenas nessa parte “novelesca”. A fotografia e, especialmente, a trilha sonora, elevam essa produção a um outro patamar. A Cassandra de Liniker é apaixonada pela cantora Vanusa – tanto que a voz de sua consciência é como se fosse a da artista falecida no final de 2020. Aí tem Vanusa cantando e Liniker cantando Vanusa, em interpretações carregadas de sentimento e significado.

Grande atores

Liniker começou sua carreira como atriz, mas se destacou como cantora e essa sua faceta inicial não é conhecida do grande público. “Manhãs de Setembro” presta o enorme serviço de trazer à luz uma artista completa. As suas expressões nos muitos momentos em que Cassandra sofre decepções é que criam a conexão entre quem assiste e a personagem. 

Vale também destacar o achado que é Gustavo Coelho, o menino que interpreta Gersinho, o filho de Cassandra. Seus olhares e sua ingenuidade cativam, bem como o carinho com que trata a pilantra Leide, sua mãe, num grande trabalho de Karine Teles. Entre os coadjuvantes, Thomás Aquino, como Ivaldo (o namorado de Cassandra) e os amigos Aristides e Décio (Gero Camilo e Paulo Miklos, respectivamente), também mantêm o alto nível do casting.

Por que assistir?

“Manhãs de Setembro” é a prova de que diversidade é algo positivo para o entretenimento. E que esse tema pode estar a favor de um roteiro inteligente e de grandes atores, sem ser o foco principal. A trajetória de Cassandra independe do fato dela ser uma mulher trans. Seus dramas são humanos, reais e por isso mesmo tão interessantes. Ajuda também o fato da construção visual dos figurinos e demais elementos cênicos serem tão bem feitos. Apesar de ter sido filmada na maior parte em Montevidéu, no Uruguai, se você não lesse isso aqui talvez nem percebesse, porque a sensação é a do centro de São Paulo.

Os cinco episódios da série são curtos, por volta de 30 minutos cada um. Então é série para assistir fácil num dia ou dois. O diretor Luis Pinheiro consegue levar tudo sem excessos, não há tempo perdido. O que há é muita torcida para que Cassandra consiga a vida que sonhou e merece, como todes nós. 

 

Manhãs de Setembro

Escrito por: Alice Marcone, Carla Meirelles, Marcelo Montenegro e Josefina Trotta
Dirigido por: Luís Pinheiro e Dainara Toffoli
Elenco: Liniker, Thomas Aquino, Karine Teles, Paulo Miklos, Gustavo Coelho, Isabela Ordoñez, Clodd Dias e Gero Camilo
Número de episódios: 5
Duração: 30 minutos, em média
Onde assistir: Amazon Prime Video

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