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Operação Invasão

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Operação Invasão

Tenso, violento e ágil do início ao fim, longa-metragem made in Indonésia é uma verdadeira aula de como fazer um bom filme de ação e artes marciais

De tempos em tempos, os filmes de ação dão um respiro de originalidade, mas pouco depois caem na preguiçosa repetição de fórmula e no marasmo devido à equivocada filosofia de que “em time que está ganhando não se mexe”. Um dos exemplos é o primeiro e excelente Busca Implacável (aquele mesmo, estrelado por Liam Neeson). O filme realmente foi um baita acerto. Só que o tamanho sucesso do primeiro e impecável longa inevitavelmente gerou três continuações e até uma série de tv, que apesar de contarem com mesma a equipe de produção e roteirista (o expert francês Luc Besson), deixaram a desejar e quase maculam a imagem do primeiro.

Acontece também que, de tempos em tempos, lá do Oriente, nos entregam verdadeiras pérolas do cinema de ação, as quais se não fossem os mercados de home entertainment, streaming e TV por assinatura, passariam longe daqui. Esse é o caso do sensacional Operação Invasão.

Confesso que já tinha visto esse filme por aí e pela capa e péssimo título brasileiro, me pareceu um daqueles filmecos “bate-entope” e genéricos com explosões, direção amadora, atores pífios e roteiro inexistente. Felizmente resolvi arriscar como mero passatempo ligeiro e descompromissado. Que grata surpresa, viu!

A história

A trama, simples (pra não dizer simplória), acompanha um grupo de elite da polícia (tipo a S.W.A.T. indonésia) que recebe a missão de invadir um velho prédio em Jacarta – um muquifo horroroso tomado por bandidos, assaltantes, viciados, assassinos de todo tipo e traficantes… resumindo, uma sucursal do inferno na Terra. O suposto objetivo da arriscada empreitada seria capturar um poderoso, cruel e praticamente intocável chefão local que montou ali seu quartel general particular e conta com a proteção dos próprios moradores, de um grupo fortemente armado e de um lutador perigosíssimo e letal.

A coisa se complica quando os policiais descobrem que caíram numa tremenda cilada (olhaí, Bino) e agora eles são a “caça”. Então, pra se manterem vivos, lhes resta colocar em prática todo o treinamento tático, a inteligência e vários truques inimagináveis – além do uso dos punhos e pés, onde se destaca Rama (Iko Uwais) um jovem, subestimado e correto policial novato que se mostra um exímio mestre das artes marciais.

Dirigido e escrito pelo competente cineasta galês Gareth Evans (coreógrafo de ação e especialista no gênero), o longa que mistura filmes policias (com nítida influência do nosso Tropa de Elite em algumas cenas), de guerra, de sobrevivência e de artes marciais prende a atenção do início ao fim com tomadas nervosas e frenéticas (daquelas boas, dinâmicas e sem perder o foco), muita violência e até uma dose de sentimentalismo muito bem empregado, sem cair na pieguice. As lutas, primorosamente coreografadas, evitam clichês como os já desgastados saltos e chutes em câmera lenta e aquelas irritantes acrobacias, “voadoras” e piruetas “de corda” fisicamente e humanamente impossíveis. Em vez disso, vemos movimentos ágeis e plausíveis, golpes rápidos, ferozes e brutais e lutas com armas brancas (tipo facões e machados) que, de tão “sangue no zóio”, dificilmente não feriram alguns dublês e atores.

O ator e lutador de Silat (arte marcial originária do sudeste asiático) Iko Uwais ficou famoso justamente por conta desse filme. Depois disso apareceu até em Star Wars. Além de vários outros filmes e também a ótima série Wu Assassins, disponível no Netflix.

Ele é puro carisma e desde já é um forte candidato à galeria dos mestres das artes marciais do cinema ao lado de Bruce LeeJackie ChanJet LiDonnie Yen, Chuck Norris e Steven Seagal.

“Operação Invasão” gerou que teve uma elogiada sequência e deu início a uma verdadeira renascença dos filmes de porrada, com a Indonésia ensinando aos produtores de Hollywood como se faz um bom filme de ação sem precisar contar com altíssimos orçamentos e astros de cachê milionário.

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