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Rashomon

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Rashomon, de Akira Kurosawa

Plataforma de streaming do Cine Belas Artes disponibiliza a versão remasterizada de um dos maiores clássicos da História do Cinema

 

Não é de hoje que pedimos aqui no Armazém Pop para que as plataformas de streaming tenham mais atenção e cuidado com os filmes clássicos. Na maior parte das vezes, quando falamos disso, estamos citando as nossas queridas produções oitentistas. Inclusive falamos disso num dos episódios do Armazém Entrega, cobrando por mais filmes de zumbi.

Se filmes dos anos 1980 já são difíceis de serem encontrados, e os clássicos da História do Cinema? Esses são ainda mais restritos. Mas, a pandemia, que fez todo mundo ficar dentro de casa, somado ao comportamento do consumidor de audiovisual, que já estava mudando antes do planeta entrar em quarentena, e indica uma tendência dos espectadores em querer ter controle sobre os horários e locais em que vão assistir algo, despertaram o mercado para novas possibilidades.

No Brasil, além das plataformas mainstream, como Netflix, HBO Max e Disney+, já há oferta de streamings de nicho, como a Mubi e o Belas Artes a La Carte. E é nesse último que estreia essa semana um filme vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1952, “Rashomon”, de Akira Kurosawa.

O filme

“Rashomon” conta, sob diferentes perspectivas, a história do ataque de um bandido a um samurai e sua esposa. A mulher é estuprada e o guerreiro é morto. Mas qual é a versão correta sobre o que aconteceu? O filme explora justamente a busca infrutífera pela verdade, mostrando a impossibilidade de chegar a conclusões reais sobre fatos, quando baseado apenas em visões pessoais. 

O filme é também um estudo sobre o caráter humano. Com três visões, a do samurai, da esposa e do bandido, o espectador é instigado a entender as razões que levam alguém a um comportamento extremo, mas não faz isso como uma lição de moral. Pelo contrário, mostra a complexidade do comportamento das pessoas. 

Por que assistir?

“Rashomon” é um filme tão importante, que depois dele a psicologia passou a usar o termo “Efeito Rashomon” para definir a situação na qual é impossível entender um fato completamente, devido às diferentes interpretações e julgamentos feitos por quem estava presente naquele momento. A mente de cada pessoa traça uma narrativa que é verídica aos seus olhos, mas é impossível saber exatamente o que se passou.

Kurosawa traz também uma discussão sobre a cultura bushi, aquela que segue os preceitos do bushido, o código dos samurais. Palavras como honra e vergonha são constantes dentro desse modo de vida. Qualquer falha é considerada irreparável e obrigava os guerreiros a irem contra até mesmo seus sentimentos. Lançado em 1951, ainda sob a égide do Japão pós-guerra, o filme pode ser visto como uma alegoria a respeito do conflito entre necessidade e humilhação, e entre desejos e obrigações.

A versão disponível no A La Carte está restaurada, com imagem excelente, bem como o som. Merecido, pois trata-se de uma obra imprescindível para o currículo de qualquer apaixonado por cinema.

 

Rashomon

Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto
Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyô, Masayuki Mori, Takashi Shimura, Minoru Chiaki, Kichijiro Ueda, Fumiko Honma, Daisuke Katô
Duração: 88 minutos
Onde assistir: Belas Artes a La Carte

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