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A trilogia ‘Rua do Medo’

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Rua do medo trilogia

Tanto para o público jovem quanto para os velhos fãs dos slashers oitentistas, filmes da Netflix são uma grata surpresa

 

Em ‘Rua do Medo Parte 1: 1994’, conhecemos Shadyside, uma pequena cidade dos EUA que, de tempos em tempos, sofre uma série de sangrentos assassinatos, que apavora os moradores e causa uma verdadeira comoção nacional – o que acaba lhe rendendo a alcunha de “capital dos assassinatos dos EUA”. Lá, um grupo de amigos adolescentes descobre que uma maldição de mais de três séculos, que pode ser causada por uma vingativa bruxa, está por trás das terríveis mortes. 

Em ‘Rua do Medo Parte 2: 1978’ a trama espertamente volta 16 anos no tempo e ficamos sabendo como ocorreu uma traumatizante chacina num acampamento localizado naquela mesma região. 

E por fim, ‘Rua do Medo Parte 3: 1666’ volta ainda mais no tempo – mostrando o povoado que deu origem à cidade e resgatando a história da tal bruxa e da maldição que ela supostamente desencadeou.

Os filmes

A trilogia dirigida por Leigh Janiak é uma adaptação da famosa série de livros de R.L. Stine, popularmente conhecido como o “Stephen King do terror adolescente”. 

Rua do Medo Poster

Foto: Netflix/Divulgação

Quando a ‘Parte 1’ estreou na Netflix, não foi necessariamente uma unanimidade: alguns consideraram o filme “juvenil demais”, alegando se tratar de um pastiche de ‘Pânico’ com toques sobrenaturais – já que sob influência dos poderes da tal bruxa, os assassinos mascarados se tornam um tipo de zumbis, praticamente indestrutíveis. Porém, mesmo que possa haver ressalvas ao primeiro longa da trilogia, já é notável o capricho da produção e o carinho dos envolvidos – trazendo, sim, um respiro de originalidade a um subgênero tão batido dentro do terror. Por isso, vale a pena conferir a trilogia inteira para que se possa fazer uma avaliação mais justa, já que os três filmes são totalmente conectados – apesar de trazer histórias que ao mesmo tempo quase funcionam sozinhas. Isso é ou não é genial? Outro detalhe bacaníssimo é que a cronologia dos três filmes é invertida – ‘1994’,’1978′ e ‘1666’ – e lá no terceiro ato do último, voltamos pra linha temporal do primeiro, onde rola o “arremate” da trama. 

Em ‘1978’ – pra mim, o melhor dos 3 capítulos – temos uma baita homenagem aos primeiros filmes da série ‘Sexta-Feira 13’ (inclusive no visual do assassino, idêntico ao de Jason no segundo filme daquela franquia) e também remete a outros slashers oitentistas como ‘A Vingança de Cropsy’ e ‘Dia dos Namorados Macabro’. Esse capítulo certamente é o mais sangrento e tenso dos três. A trilha sonora é a melhor, trazendo hits da década de 1970 e de astros como David Bowie – homenageado também no nome de uma das protagonistas (‘Ziggy’) e no de cachorrinho da outra (‘Major Tom’). 

Então, em ‘1666’ a trama ganha ares mais “adultos” e pesados: aqui, a protagonista precisa lidar com o fanatismo religioso, a superstição, a ignorância e o preconceito de seus vizinhos enquanto vê o vilarejo onde vive ser gradativamente tomado por forças malignas. 

Por que assistir?

A trilogia ‘Rua do Medo’ é a prova de que boas ideias ainda podem surgir nos mais batidos segmentos ou estilos cinematográficos. As idas e vindas temporais são cuidadosamente conectadas – amarrando pontas soltas de maneira bem satisfatória.

O fato da principal protagonista ser uma adolescente lésbica traz um pouco mais de tensão pra história, acarretada pelo preconceito e pelo machismo dos moradores da região – potencializados nas décadas (ou séculos) anteriores. Ao mesmo tempo, a delicadeza da abordagem de sua sexualidade e demonstrações de sua lealdade e coragem podem fazer com que o público mais preconceituoso e reacionário acabe tendo empatia por ela – e talvez possa finalmente começar a enxergar o óbvio: que a sexualidade de cada um não interfere no caráter individual. Ponto pros roteiristas! 

Outro fator importante é que o roteiro e as boas atuações fazem com que a gente realmente se importe com a segurança dos personagens e torça para que a maioria deles sobreviva – ao contrário dos famosos e já citados filmes da franquia ‘Sexta-Feira 13’, por exemplo, em que Jason exterminava a galera das formas mais criativamente cruéis e ninguém se importava. 

Por fim, vale lembrar que ‘roteiro’ nunca foi o forte da maioria dos filmes do gênero. Então, uma ou outra derrapada na engenhosa trama dessa divertida trilogia não deve ser levada tão a sério, a ponto de atrapalhar a diversão – que, no geral, é das mais satisfatórias nos recentes filmes do segmento.

 

Rua do Medo, trilogia: (1994, 1978 e 1666)

(EUA/2021)

Direção: Leigh Janiak
Roteiro: Leigh Janiak, Phil Graziadei, Kate Trefry (baseado nos livros de R.L. Stine)
Elenco: Kirana Madeira, Olivia Scott Welch, Benjamin Flores Jr., Julia Rehwald, Sadie Sink, Gillian Jacobs.
Onde assistir: Netflix

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