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Um Lugar Silencioso – Parte II

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Um lugar silencioso 2

John Krasinsky compensa a falta do “fator novidade” com uma direção primorosa e sequências carregadas de tensão

 

‘Um Lugar Silencioso’ estreou em 2018 fazendo barulho em meio à quietude sufocante de algumas das sequências mais tensas do cinema contemporâneo. Aclamado por público e crítica internacionais, o longa dirigido por John Krasinsky e estrelado por ele e por Emily Blunt (sua esposa na vida real) trouxe um diferencial pros filmes de monstros: ao invés de gritos, correrias incessantes, barulho e explosões, a maior tensão é criada em momentos de absoluto silêncio. Afinal, num mundo dominado por misteriosas criaturas que caçam humanos através do som emitido por suas presas, o “silêncio é ouro”.  

Então, depois de um longo adiamento por causa da pandemia, finalmente chega às telas brasileiras o aguardado ‘Um Lugar Silencioso – parte II’ com John Krasinsky novamente na direção e o mesmo elenco central. 

Quando foi anunciada uma sequência, ficou a dúvida se o diretor conseguiria a façanha de manter a qualidade do filme anterior e expandir àquele universo de maneira satisfatória – já que o “fator novidade”, que contribuiu tanto para o sucesso, deixaria de ser a tônica. Pois ele conseguiu! 

A história

Depois de um alucinante prólogo que mostra o momento em que os terríveis monstros chegam à Terra (sim, aqui se confirma a origem extraterrestre das criaturas) e iniciam uma baita carnificina, a trama dá um salto temporal pro exato momento após os acontecimentos do primeiro filme. A família Abbott (Emily Blunt, Millicent Simmonds e Noah Jupe) continua sua luta pela sobrevivência enquanto, literalmente, colocam o pés na estrada na busca por outros sobreviventes, precisando lidar com medo e a incerteza do horror à espreita – que pode surgir a qualquer momento, caso o menor ruído seja emitido por eles. Tenso, não? Sim, é tenso, muito tenso! Tenso pra caramba!

No caminho, a família obviamente encontrará outros sobreviventes – alguns com boa índole e outros com nenhuma – onde se destaca o personagem interpretado pelo carismático e sempre bem-vindo Cillian Murphy (de ‘Peaky Blinders’), que se une a eles na tentativa de localizar um suposto refúgio humano, cercado e protegido. 

Por que assistir?

Essa ‘Parte II’ traz um nítido upgrade de produção – observado na ótima sequência de abertura, nas cenas de ação e no visual das criaturas, que parecem ainda mais reais e ameaçadoras. Se esses atributos não a faz superar o primeiro capítulo da saga, conseguem facilmente equalizar o padrão geral de qualidade. A equipe responsável pela edição de som realiza um trabalho primoroso utilizando o silêncio na criação das sufocantes cenas de tensão, ainda fazendo com que qualquer barulho se torne assustador.

Há também a perspectiva de todo aquele cenário tenebroso pelo ponto de vista de Regan, a filha com deficiência auditiva. Tudo se torna mais interessante se lembrarmos que a atriz adolescente Millicent Simmonds, assim como sua personagem, também é deficiente auditiva.  

Por fim, vale ressaltar e incrível performance de Emily Blunt no papel da mãe zelosa e lutadora que dá tudo de si para proteger os seus filhos – entre eles, um bebê recém nascido que, com um simples choro, pode colocar a vida de todos em risco. 

O final deixa margem pra mais uma sequência, prometida para 2023. Até lá, vale muito a pena apreciar cada minuto desse espetáculo de terror e suspense, cujas qualidades o transformam desde já num dos melhores filmes do ano. 

 

Um Lugar Silencioso – parte II (EUA/2020)

Direção: John Krasinsky
Roteiro: John Krasinsky
Elenco: Emily Blunt, Cillian Murphy, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Djimon Hounsou, John Krasinsky
Duração: 1h 37min

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