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Vingadores – A Era de Ultron: quebradeira sem limites – e um roteiro também quebrado

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Segunda aparição dos Vingadores no cinema é fundamental para entender Wandavision. Mas não é um filme tão bom assim

Depois do primeiro Vingadores, a expectativa para sua continuação era enorme. Muita gente nova ia aparecer, o Universo Marvel avançaria mais um pouco. Mas o resultado final não foi lá essas coisas. O problema parece ser justamente o excesso: era tanta coisa ser dita que a trama, a história do filme, acabou ficando pra trás.

Parece HQ

“A Era de Ultron” lembra as melhores pancadarias dos Vingadores nos gibis e joga os espectadores para o centro da batalha desde o primeiro minuto. Essa é a parte legal, são os heróis ganhando vida e fazendo um monte de coisas que só o papel aceitava.

A parte complicada é que, como em muitos gibis, a história parece começar do meio. Não há o menor interesse em apresentar ninguém, muito menos a situação em si. Como numa revista em quadrinhos que se inicia com a referência de uma edição passada, “A Era de Ultron” considera que todo mundo assistiu não só ao primeiro filme do supergrupo, mas especialmente “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”.

Ok, até assistimos. Mas não dá para o roteiro fazer isso e achar que está tudo bem. Não está.

A sensação com esta continuação é de que o foco estava em brincar de bonequinho do jeito mais explosivo possível. A ideia principal era essa, aí construiu-se uma história ao redor desse conceito e o barco seguiu.

Tudo que era muito bem amarrado no primeiro filme, neste está solto e sem muita coerência. Corrido mesmo. E para segurar essas pontas, dá-lhe atores bons e diálogos espertos. Os melhores são de Bruce Banner (Mark Ruffalo) com Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Natasha Romanoff (Scarlett Johanson). Aliás, o casal Hulk e Viúva Negra foge da falta de noção do roteiro e tem um relacionamento construído de maneira bastante interessante.

A surpresa da vez fica por conta do tempo de tela dado a Clint Barton, o Gavião Arqueiro interpretado por Jeremy Renner. A ele cabe uma das surpresas do filme e que depois, lá em Guerra Infinita e Ultimato, são tão importantes. De toda forma, pode-se dizer é que ele é a parte mais humana do grupo e isso é algo importantíssimo, inclusive filosoficamente, quando se enfrenta algo que vai além da humanidade, a inteligência artificial Ultron.

Vilões na medida dos heróis

Ultron é um vilão sob medida para um filme que tem como objetivo botar os super-heróis para quebrarem tudo na tela. Ele é poderoso, mal e bastante louco. Nisso, a voz de James Spader não só ajuda, como amplifica a insanidade.

Ao seu lado, Ultron carrega os gêmeos Wanda e Pietro Maximoff. Já sabemos no que isso vai dar, afinal nada mais Marvel do que vilões que tornam-se heróis depois. Mas ainda assim, enfrentar seres com poderes maiores ou equivalentes aos seus  nessa etapa da história ainda era algo novo para esses Vingadores – mesmo que agora eles sejam um azeitado grupo que age como uma onda, todos juntos e bastante integrados.

Nessa mesma onda há a chegada do Visão. Esse sim, uma belíssima adição ao elenco, tanto do ponto de vista de atuação – Paul Bettany está espetacular – quanto da interação entre os personagens. Com Wandavision ficou claro como essa foi uma boa escolha.

Para os nerds

Vários pequenos easter eggs estão espalhados, a maior parte deles de maneira bastante declarada, por toda a narrativa de “A Era de Ultron”. É muito legal assistir com os olhos de hoje, depois que tudo já se realizou, para ver o quanto de sementes foram plantadas naquele filme.

Pode parecer depois desse texto que “Vingadores – A Era de Ultron” é um filme ruim. Não chega a tanto. Mas poderia ser melhor se tivesse havido uma devoção maior ao roteiro.

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